É preciso aprender a pensar

Pensar é uma atividade que exige aquisição de uma técnica, assim como na dança, diz Nietzsche. É preciso aprendê-la, exercitá-la, até adquirir a sofisticação de um mestre, de um bailarino. Nas escolas, e até mesmo nas Universidades, ninguém tem ideia do que isso seja.
Retomar a potência criativa do pensamento é o alvo, resgatar o prazer de ver uma questão a partir de diferentes perspectivas, de olhá-la cuidadosamente, perceber o que manifesta e o que oculta, onde se desdobra, antes de emitir um valor. Em vez disso, como franco-atiradores, lançamos juízos rasos e maniqueístas sobre o mundo, o outro, nós mesmos, a vida, e nos tornamos as maiores vítimas destas avaliações.
A função do pensamento deve ser sempre afirmar a vida, potencializá-la, por isso a vida deve ser o único critério para a aquisição de conceitos e valores: que importância este saber, este conteúdo tem para a vida, de que modo nos faz viver melhor?
Trechos do livro “O Homem que sabe- Do homo sapiens à crítica da razão”,  de Viviane Mosé.

Se não fossem iguais…

…os homens não poderiam compreender uns aos outros e os que vieram antes deles, nem fazer planos para o futuro, nem prever as necessidades daqueles que virão depois deles.
Se não fossem distintos, sendo cada ser humano distinto de qualquer outro que é, foi ou será, não precisariam do discurso nem da ação para se fazerem entender.”

Hannah Arendt, “A Condição Humana”.