“A beleza salvará o mundo.” Fiodor Dostoievski

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Elogio da Loucura

” Sou eu mesma, como vedes; sim, sou eu aquela verdadeira dispenseira de bens, a que os latinos chamam Stultitia e os gregos, Moria. E que necessidade haveria de ve-lo dizer? O meu rosto já não o diz bastante? Se há alguém que desastradamente se tenha iludido, tornando-me por Minerva ou pela Sabedoria, bastará olhar-me de frente, para logo me conhecer a fundo, sem que eu me sirva das palavras, que são a imagem sincera do pensamento. Não existe em mim simulação alguma, mostrando-me eu por fora o que sou no coração. Sou sempre igual a mim mesma, de tal forma que, se alguns dos meus sequazes presumem não passar por tais, disfarçando-se sob a mascara e o nome de sábios, não serão eles mais do que macacos vestidos de púrpura, do que burros vestidos com pele de leão. Qualquer, pois, que seja o raciocínio feito para se mostrarem diferentes do que são, dois compridos orelhões descobrirão sempre o seu Midas.”

Erasmo de Rotterdam, em Elogio da Loucura.